Os assuntos relacionados à energia estão, na atualidade, entre as pautas mais relevantes da sociedade. Em algumas partes do mundo, as questões ambientais hoje disputam espaços com as questões relativas à disponibilidade de energia, grande parte em função da guerra entre Rússia e Ucrânia. A beligerância naquela região expôs, novamente, antigas fragilidades do continente europeu, com relação à dependência de fontes de energia que não estão, propriamente, em solo europeu (considerando que, embora a maior parte da população Russa esteja no continente europeu, a maior parte do território russo está localizada na Ásia).
As fragilidades decorrem do fato de que alguns países europeus são muito dependentes do gás proveniente da Rússia como mostra essa matéria publicada antes do início dos combates.
O atual cenário de guerra, envolvendo uma grande potência energética, está redefinindo o curso de decisões estratégicas relacionadas ao uso de energia nucleoelétrica. A França, que abriga a maior quantidade de centrais nucleares na Europa, por exemplo, busca maneiras para poder reduzir os limites que foram definidos em acordos anteriores à guerra que está em curso na Ucrânia. Um cenário de possível escassez de energia e a retomada de investimentos em centrais nucleares têm sido fontes de atritos entre alguns países europeus. Parece claro que o cenário energético europeu pode influenciar nas análises e decisões dos países desse continente, mas e a energia nucleoelétrica no Brasil, a quantas anda?
No início de 2022 as obras da Usina Angra 3 foram retomadas, após paralisação que durou cerca de 8 anos. O atual cenário energético brasileiro apresenta boa diversidade de fontes de energia e a expansão dos parques eólicos e de energia solar colocam mais pressão sobre “a viabilidade” de centrais nucleares; a Figura 01 mostra que a energia solar supera em cerca de 4 pontos percentuais a geração a partir de fonte nuclear; já a energia eólica supera em mais de 12 pontos percentuais.

O plano decenal da Eletronuclear, empresa de capital misto, subsidiária da Eletrobras e única operadora de energia nuclear no Brasil, prevê que a usina Angra 3 entre em operação em 2028, com capacidade de 1,4GW. Esse mesmo plano ainda prevê a instalação de uma quarta usina até 2031, com previsão de entregar mais 1,0GW.
A retomada das obras em Angra reacendeu discussões relacionadas aos custos de geração, aos riscos envolvidos, etc. e, com certeza, serão travadas grandes batalhas intelectuais entre os estudiosos que defendem essa fonte de energia e os estudiosos que a criticam. Diante desse cenário, convém, ao país, que algumas questões sejam respondidas.
Uma delas é relacionada à necessidade de o Brasil investir nessa fonte de energia. Com uma matriz energética tão diversa e de “baixo carbono”, faz sentido investir em mais duas usinas nucleares, sendo que, se as quatro já estivessem em operação, hoje representariam, apenas, cerca de 50% do total gerado por fontes solares?
A outra é com relação à tecnologia contratada para essa usina. Quão segura e eficiente é a tecnologia que será implantada nas novas usinas?
E a terceira é relacionada aos interesses que vão além da disponibilidade de energia elétrica. Qual é a importância de o Brasil investir em mais centrais nucleoelétricas, à luz dos possíveis avanços tecnológicos relacionadas à radioproteção, domínio de novas tecnologias de enriquecimento de material radioativo, outras finalidades de uso de radiação ionizante e, até mesmo, para fins militares?
Nas próximas duas semanas continuaremos a falar sobre esse assunto. A próxima postagem abordará os prós e contras de uma instalação nucleoelétrica e a terceira postagem da série falará um pouco sobre o ciclo do combustível nuclear, compreendido entre a mineração do urânio e o manejo do “lixo nuclear”.







Excelente informação!!!
Na espera das partes 2 e 3.
Ao final das postagens, poderiam compartilhar qual seria a melhor forma de energia na opinião de vocês.
Abraço!!
Fábio, agradecemos por ter lido nossa postagem e, especialmente, pela sua interação.
Acolhemos o seu comentário e vamos colocar nossa opinião.